Água: o nosso bem essencial

gota de água

Tal como Heráclito de Éfeso refletiu em tempos, ninguém pode tomar banho duas vezes no mesmo rio, pois o rio não será o mesmo na segunda vez. Esta ideia pode considerar o homem em si ou o rio enquanto sistema, mas para este post quero focar-me apenas na água potável que corre nos rios. Essa água é um recurso natural renovável, pois está num constante loop que é o ciclo hidrológico, passando pelos vários processos de transferência.

Mas será que a quantidade de água potável se mantém sempre na mesma percentagem?

Não! E é por isso que a água começa a ser cada vez mais considerada como um recurso não renovável – não por deixar de existir, mas por existir cada vez menos água própria para consumo.

O que é que torna a água menos própria para consumo?

A poluição dos rios – que pode ser química, física ou biológica – é um dos grandes problemas! Esta poluição existe devido ao despejo de esgotos residenciais, industriais e hospitalares não tratados nos rios. Este escoamento leva à morte de vários organismos vivos e também se torna um risco para a saúde pública por poder contaminar a água com organismos patogénicos.

O depósito de lixo nos rios também polui a água, devido ao tipo de resíduos que são lançados ao mar podendo até chegar a obstruir passagens do rio, dependendo do seu tamanho e quantidade.

No meio rural, a principal causa da poluição dos rios é a utilização de químicos agrícolas, pois os agrotóxicos acumulam-se no solo e são direcionados até aos rios pela água das chuvas. 

rio poluído

Esta poluição afeta-nos diretamente?

Tendo em conta que aproximadamente 2,5% da água que existe no mundo é água doce e que apenas 0,3% dessa água é própria para consumo, não é boa ideia poluir essa pequeníssima percentagem.  Já reparaste que utilizamos água para praticamente tudo? Desde o consumo direto até à lavagem do carro.

Tendo em conta que 97,5% da água que existe é salgada, foi criado um processo de transformação de água salgada para água potável – dessalinização -, mas é um processo muito dispendioso, portanto não é muito utilizado.

Assim, cabe a mim e a ti preservar o nosso solo tendo atenção ao que colocamos na nossa horta, e a nossa água, que é realmente o nosso bem (mais) essencial. 

Como ajudar a preservar os 0,3%?

Acredito que já tenhas ouvido algumas das dicas um milhão de vezes, mas é sempre bom recordar:

  • Fecha a torneira/chuveiro enquanto estás a escovar os dentes, ensaboar as mãos ou a colocar champô/sabão;
  • Utiliza champôs e sabonetes o mais naturais possíveis para não contaminar as água residuais;
  • Se cozinhares em banho maria, podes reutilizar a água para regar plantas;
  • O mesmo acontece com a água do banho que corre antes desta aquecer – podes sempre reutilizá-la, utilizando um balde para a guardares;
  • Evita tomar banho de imersão e toma duches rápidos (num duche de 5 minutos com a torneira fechada durante o ensaboamento, gastas 24l de água – será que os teus banhos duram 5 minutos?).
  • Não descarregues o autoclismo por cada papelinho que tens de deitar fora (cada descarga completa gasta 15l e meia descarga são 8,5l).

Queres mais dicas?

  • Tenta optar por comprar eletrodomésticos mais económicos e ecológicos (A+++);
  • Tenta encher a máquina da roupa antes de a utilizares, para não teres de utilizar várias vezes e gastar água nas lavagens desnecessariamente;
  • Se lavares a loiça à mão, fecha a torneira enquanto a lavas, mas se puderes adquire uma máquina de lavar loiça (gasta em média 12l por lavagem);
  • Ao descongelar alimentos, retira-os do congelador com algumas horas de antecedência e coloca-os no frigorífico para evitar colocá-los sobre água corrente no processo de descongelamento rápido;
  • Evita manter fugas de água (poupas na conta da água e no desperdício);
  • Não deites óleo de cozinha pelo ralo, pois este contamina a água. Existe um depósito próprio para colocar o óleo utilizado;
  • Tenta lavar o teu carro o mínimo possível (ele não se importa de não estar sempre a brilhar);
  • Se tiveres espaços exteriores, utiliza a vassoura para lavá-los em vez da mangueira e evita regar o jardim nas horas de maior calor (existe maior evaporação e pouca infiltração no solo devido ao calor);
  • Caso consigas, tenta reutilizar a água da chuva para a rega;
  • Se tiveres um sistema de rega, opta pela rega gota a gota, pois tem menos probabilidade de evaporar, infiltrando-se no solo com mais facilidade.

Se refletirmos bem, precisamos de água para praticamente tudo! Mas também conseguimos reutilizar alguma da água que muitas vezes vai pelo cano abaixo sem ter tido uma grande utilização. 

Não é um desperdício?

Para além disso, a água é uma mais valia para a nossa própria saúde e bem-estar!

Apetece saltar lá para dentro não apetece? 😛 Ou só estar por perto a contemplar a beleza e ouvir a água a cair… Uma última dica de poupança de água e de boas práticas é relembrares sempre esta cascata ou qualquer sítio magnífico onde já tenhas estado. Depois, pensa que tens a capacidade de ajudar a preservar esse espaço e começa a mudar pequenos comportamentos passo a passo! 🙂 

Não te esqueças porém que não são só os rios que estão poluídos, mas também os mares! Essa poluição – causada por nós – traz um grande impacto negativo a todos os animais marinhos.

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