Ártico e as Alterações Climáticas

icebergue

Diariamente ouvimos notícias sobre as alterações climáticas e as suas consequências pelo mundo inteiro, mas foi no Ártico que a temperatura aumentou o dobro da média global. Antes de chegar às consequências e previsões futuras para este fenómeno – amplificação do Ártico – quero partilhar contigo os indicadores que nos fazem perceber as alterações que têm sido registadas desde meados de 1970 até 2016/17:

  • A temperatura do ar aumentou em média 2,7ºC (3,1ºC no verão e 1,8ºC no inverno);
  • Houve um aumento generalizado da humidade, nuvens baixas e precipitação;
  • Observou-se uma redução de 35% da camada de gelo ao longo do Oceano Ártico no verão e 15% no inverno;
  • Houve uma redução de 70% de volume de gelo no Oceano Ártico no verão e 20% no inverno;
  • Observou-se um aumento significativo do nível das águas do mar;
  • A tundra Ártica está a tornar-se mais verde (com menos regiões com gelo);
  • Existem mais incêndios florestais na região.

Quais as consequências das Alterações Climáticas no Ártico?

A maior consequência das alterações climáticas no Ártico está a ser a subida da temperatura que, consequentemente, provoca alterações em inúmeras variáveis. O gelo derrete, as rochas e a água absorvem cada vez mais energia do sol, os habitats desaparecem e com eles desaparecem também muitos animais, tal como as morsas e os ursos polares. O nível médio das águas do mar sobe, mudando também o ciclo da global da água – o que influencia o mundo inteiro. Este novo ciclo da água vai inevitavelmente ter também impacte nos recifes de coral, peixes e crustáceos. Por fim, obviamente que tudo isto traz implicações para as pessoas que vivem em comunidades dessas regiões polares, pois a produtividade de pesca e caça diminui.

Mas não ficamos por aqui! Existe um processo chamado “degelo abrupto”. Este é nada mais nada menos do que o aquecimento de pequenas manchas de solo congelado no pergelissolo (tipo de solo encontrado no Ártico) que liberta emissões de dióxido de carbono bastante acima do esperado. Essas emissões não estavam sequer contabilizadas nas simulações feitas pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), que estima as metas futuras das temperaturas e quando devemos parar com a queima de combustíveis fósseis para evitar um aquecimento global maior.

Outro alarme referente ao pergelissolo é que este retém quase o dobro do carbono da atmosfera. Isto dá-se devido aos restos de plantas e animais mortos antigos. À medida que o gelo vai derretendo, esse CO2 vai-se libertando, apesar de alguma percentagem poder vir a ser absorvida pelas plantas, que por sua vez também vão sendo cada vez mais.

Assim, as mudanças climáticas não afetam “só” o ambiente, afectam-nos também a nós enquanto população. A nossa saúde, bem-estar, segurança e meios de subsistência são colocados em causa quando as consequências são postas em cima da mesa. Em Homer, no Alasca, a população que lá habita está habituada a tempestades de gelo e alguma erosão dos solos. Ainda assim, estes têm sido cada vez mais comuns e mais fortes! Outro exemplo é a cidade de Churchill, no Canadá, que tem tido visitas frequentes de ursos polares na cidade. Estes não conseguem encontrar alimento no seu habitat, então dirigem-se à cidade. Isto afasta o turismo da cidade, coloca a população em risco e também os usos polares! Entre 1984 e 2013, numa ilha no norte do Canadá, os abatimentos de solo aumentaram 60 vezes devido às zonas de turfa (ricas em carbono) que vão sendo descongeladas.

Influência do Turismo no Ártico

Tudo isto mostra-nos que houve e ainda está a decorrer inevitavelmente uma grande mudança que traz consequências devastadoras. Ainda assim, e porque o ser humano não perde uma oportunidade, a diminuição de gelo no Oceano Ártico está a fazer com que o turismo da região aumente. E como? Ora, com mais espaço para navegar os cruzeiros aventuram-se a navegar em mais sítios, chegando a entrar na zona MIZ (Arctic Marginal Ice Zone). A zona MIZ é o local que contém a maior biodiversidade do Ártico e características únicas. Assim, os cruzeiros aproveitam esta situação para que os turistas possam observar os animais, mesmo que se encontrem em risco de extinção. Na realidade, é exatamente por isso! É considerado “last chance tourism” e está a ter efeito na população, pois muitos sítios que podem estar prestes a mudar ou a desaparecer devido às alterações climáticas estão a ser muito mais visitados.

Desta forma existe uma grande preocupação com o potencial impacte do turismo no Ártico na vida selvagem da zona MIZ. Além disso, as consequências ambientais dos acidentes no Ártico provavelmente serão mais graves do que nas águas mais quentes, pois o óleo e outros materiais perigosos são mais difíceis de remover em condições geladas, e o processo natural de limpeza através da dissolução, decomposição ou evaporação das substâncias é impedido pelas baixas temperaturas da água e do ar.

família de ursos polares

Previsões para o futuro

O relatório do IPCC de 2018 sobre as previsões de aumento de temperatura e emissões globais de combustíveis fósseis indicava que estas precisavam de ser cortadas em 45% até 2030, e completamente até 2050. Infelizmente, este relatório não englobava o degelo abrupto, que pode aumentar as emissões em 10%. 

Ainda assim, existe muita incerteza quanto ao futuro. É certo que irão continuar a existir mudanças nos ecossistemas e solos, levando a consequência negativas biológicas, sociais, culturais e económicas: isto é unânime. Crê-se que os ecossistemas podem ser resilientes e adaptar-se, mas se as suas estruturas e funções ecológicas ficarem extremamente afetadas nas diferentes partes do mundo, podem afetar a saúde humana. Sabemos que estes desempenham papéis críticos na manutenção do ambiente como o conhecemos: conservam a diversidade biológica, mantêm os recursos hídricos limpos, controlam a erosão dos solos, melhoram a produtividade da terra, protegem os recursos costeiros e marinhos, e ainda nos fornecem energia renovável!

Desta forma, é crucial que exista uma abordagem estratégica para salvaguardar os ecossistemas! Existem várias organizações não-governamentais que procuram esta salvaguarda criando programas de florestação e reflorestação para manter as florestas protegidas e assim lutar contra as mudanças climáticas.

A nossa missão poderá passar por ajudar estas organizações, plantar árvores sempre que conseguirmos ou até mesmo não sujar as matas/florestas quando passamos por elas 😊

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *