Desastres Ambientais e a Humanidade

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No dia 25 de julho deste ano o navio petroleiro MV Wakashio encalhou num recife perto da costa da ilha Maurícia e partiu-se em dois. Assim se viveu mais um desastre ambiental! O navio continha 3.800 toneladas de óleo combustível e 200 toneladas de diesel a bordo, tendo derramado praticamente mil toneladas de petróleo naquela zona. Consequentemente, algumas das áreas contaminadas foram áreas protegidas com florestas de mangais onde residiam espécies ameaçadas.

Apesar de não ter sido executada de imediato, a limpeza do petróleo foi realizada por profissionais e voluntários. Estes trabalharam dias a fio para conseguirem retirar praticamente todo o petróleo derramado! Um grande auxílio foi o facto de terem construído e colocado barreiras para proteger a costa do petróleo. Foram utilizadas longas jangadas flutuantes e faixas de tecido feitas com folhas, cabelo e palha de cana de açúcar e mantidas a flutuar com garrafas de plástico, para absorver o petróleo.

Posteriormente, irá ser feita uma avaliação dos danos causados tanto na fauna e flora marinhas como na economia local, mas as consequências irão ser notórias. Alguns recifes de coral tinham já começado a regenerar-se e devido ao petróleo esse avanço pode ser revertido…

Quanto à causa do acidente, fora feitas alegações de que o capitão e um membro da tripulação não cumpriram algumas regras de segurança marítima.

Ambos os culpados foram detidos, mas será que são os únicos a não cumprir com as regras de segurança ou existem mais exemplos?

Desastres ambientais marítimos

Derrames de petróleo no Círculo Polar Ártico

O primeiro derrame atual da zona da Sibéria aconteceu em Junho deste ano, quando um dos tanques de combustível da fábrica de energia Ntek rebentou. Este acidente levou à fuga de 20 mil toneladas de petróleo. Estas toneladas foram extremamente difíceis de retirar das águas, pois aquela zona é muito isolada e pantanosa, portanto imaginem as consequências para a flora e fauna daquela zona… O presidente da Ntek referiu que o acidente se deveu ao afundamento dos pilares que suportam o tanque. Os pilares estão embutidos no pergelissolo que, devido ao degelo, começa a modificar-se podendo desta forma causar acidentes dessa natureza.

Pouco tempo depois, em Julho, foram derramadas cerca de 44 toneladas de combustível num lago da Sibéria devido à despressurização de um oleoduto daquela zona. Os trabalhos do oleoduto foram suspensos até ao término da limpeza do lago.

No post que escrevi sobre as alterações climáticas e o Ártico apontei várias consequências que já se observam devido ao degelo e outras que se podem vir a observar. Caso queiras espreitar, clica aqui

Derrames de petróleo em 2019

Em 2019 ocorreu um desastre perto das Ilhas Galápagos (património natural da humanidade). Devido a um acidente provocado por um camião grua que capotou ao transportar um contentor, o barco virou. Desta forma, foram derramados 2300 litros de combustível no mar.

Em agosto desse mesmo ano, chegou petróleo ao longo de 2500 quilómetros de costa Brasileira devido a um derrame a 700km de distância da costa. Depois de se ter percebido qual o navio que poderia ser responsável pelo acidente, a companhia que explora o navio não encontrou evidências que explicassem a fuga de petróleo. Ainda assim, houve uma fuga que originou a morte de muitos crustáceos, peixes, aves, golfinhos e tartarugas… portanto as consequências negativas mantém-se visíveis. 

Outros exemplos

Em 2017 surgiu outro derrame de petróleo, mas desta vez nas águas do Golfo Pérsico, perto de Kuwait. A origem deste derrame surgiu de um velho oleoduto submarino, que extravasou o equivalente a 35 mil barris de petróleo. Houve falta de prontidão na limpeza das águas, portanto consequentemente duas centrais de eletricidade e dessalinização da água do mar estiveram encerradas até ao término da limpeza.

Mais um exemplo que retrata um grande desastre foi a explosão da petrolífera da BP. Não sei se alguma vez viram o filme Deepwater Horizon que retrata o acidente. Se nunca viram, aconselho a assistirem e a refletirem sobre as suas consequências! Em 2010 a petrolífera explodiu e levou à morte de 11 trabalhadores e um derrame estimado de 4 milhões de barris de petróleo. Apenas três meses depois da explosão é que a fuga de petróleo finalmente parou. Sim, três meses. 

Este acidente teve consequências devastadoras para a biodiversidade marinha daquele local, sendo que anos mais tarde ainda se estudavam e verificavam as consequências.

explosão

O último acidente deste género que registo aqui aconteceu em 2002, quando o petroleiro liberiano Prestige afundou-se no Atlântico devido a uma avaria que sofreu durante uma tempestade. Por efeito, foram derramadas mais de 63.000 toneladas de combustível, poluindo milhares de quilómetros do litoral de Espanha, Portugal e França.

Quando este tipo de acidentes acontece, as entidades que recebem o petróleo por transporte marítimo pagam uma indemnização para “compensar os custos dos estragos causados”. Este dinheiro é retirado dos Fundos Internacionais de Compensação de Poluição por Petróleo (IOPC), fundos estes que são financiados por essas mesmas pessoas.

Independentemente dos fundos de compensação (fundos estes que não são capazes de desfazer algumas das consequências), convido-te a fazer as contas da quantidade de petróleo que se derramou nos desastres descritos nas notícias que partilhei. Mesmo que haja uma equipa de limpeza pronta a intervir, nunca é rápida o suficiente para não existirem consequências negativas!

Outros desastres ambientais:

Outro desastre com mão humana que abalou a biodiversidade marinha do Brasil não foi criado por derrames de petróleo, mas sim pela queda de uma barragem em 2015. Foram culpabilizadas várias empresas por este desfalque devido à construção duvidosa e falta de segurança da barragem. Este acidente levou à destruição de vegetação, morte de animais e pessoas e poluição das águas devido à lama que continha resíduos de exploração de minério de ferro.

Por fim, quero partilhar outra notícia que não devastou oceanos, mas um porto.  Beirute, a capital do Líbano, foi atingida por uma violenta explosão que destruiu a zona portuária deixando uma cratera com 43 metros de profundidade. Esta explosão deveu-se à junção de um incêndio que deflagrou num contentor que continha material pirotécnico a um depósito que continha perto de 1750 toneladas de nitrato de amónio. O navio que continha este depósito estava atracado no porto desde 2013, devido a problemas mecânicos e lá ficou até agora. 

A violenta explosão criou um grande impacte na cidade de Beirute, pois toda aquela zona foi arrasada. Mais de 100 pessoas morreram, cerca de 5 mil ficaram feridas e algumas continuam desaparecidas. Este acidente criou consequências devastadoras a nível social, político e económico, até em termos alimentares. Toneladas de comida que se encontrava armazenada no porto ficou inutilizada.

Tudo porque um navio cheio de nitrato de amónio estava no sítio errado… há 7 anos.

Podemos perguntar-nos a nós próprios se o ser humano aprende alguma coisa com estes acidentes que cria e que despoletam mortes de pessoas e animais, intoxicações, poluição das águas e do solos, e por aí fora. 

Olhando para a tragédia que aconteceu em Beirute, se alguém soubesse que um navio carregado de petróleo e prestes a ruir estivesse em pleno mar, iria fazer algo em relação a isso certo? A ONU tentou, mas parece que ainda existem muitas coisas mais valiosas do que a vida – seja ela qual for. Para saberem mais sobre esta notícia podem aceder aqui

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