Espécies Migratórias e as Alterações Climáticas

tartaruga

Para dar continuidade ao tema das alterações climáticas e perceber a dimensão das mudanças no nosso planeta, resolvi estudar um pouco sobre as consequências que as alterações climáticas trazem às espécies migratórias que têm “dia e hora” para mudarem de casa durante determinado período. Se ainda não leste o post anterior e tens curiosidade, podes encontrá-lo aqui.

Consequências das mudanças climáticas nos vários habitats

A literatura sugere que as consequências serão mais acentuadas em cinco tipos de habitats: costeiros, marinhos de água doce, tundra (Ártico), montanhoso e terrestre árido. Em relação aos sítios geográficos, poderão estar mais afetados os animais terrestres na Ásia, Austrália e América do Sul e os animais marinhos nos Oceanos Pacífico e Índico.

Este impacte é agravado também por nós devido aos processos antropogénicos (realizados pelo Homem) em diversos setores que não só ocupam muita área geográfica (e.g., agricultura) como libertam muitos gases de efeito de estufa (e.g., transportes). Outro exemplo é o consumo excessivo de água para uso doméstico, industrial e agrícola, pois estamos a fazer com que os lençóis freáticos reduzam em tamanho. Desta forma, trazemos maiores consequências para o clima de zonas mais húmidas. As áreas baixas de habitat costeiro são outro exemplo, pois estão geralmente ocupadas por habitações e campos agrícolas (e.g., terras da Costa da Caparica).

Consequências das alterações climáticas em espécies migratórias

As espécies migratórias, ao fazerem longos percursos durante a sua migração, acabam por ser afetadas pelas alterações climáticas. Os habitats modificam-se por redução de alimento, mudanças no nível das águas do mar, aumento de temperatura ou até por aumento de cheias e tempestades. Dessa forma, muitas espécies poderão ficar em perigo.  Deixo aqui alguns dos indicadores que já se estudaram:

  1. A redução da precipitação e aumento da temperatura levam à perda de habitat de algumas aves migratórias, aumento de mortalidade e consequentemente afectam as populações das diferentes espécies (e.g, focas e pinguins);
  2. O salmão tem menor probabilidade de sobreviver em águas que têm estado mais quentes devido ao aumento da temperatura, não conseguindo chegar ao local de desova;
  3. As tartarugas marinhas estão a ser afetadas devido ao aumento do nível da água do mar, pois estão a começar a perder os habitats costeiros onde colocam os seus ovos;
  4. Vários mamíferos de África têm diminuído consideravelmente em número populacional devido à redução da precipitação nos locais por onde passam;
  5. Também os morcegos são afetados quando tencionam hibernar, pois a mudança de temperatura ao redor dos locais de hibernação altera o seu comportamento e poderão ter efeito negativo durante o Inverno.

Aves Migratórias

Quem nunca assistiu ao retorno das andorinhas na Primavera? Este fenómeno dá-se porque durante o período mais frio elas retiram-se, para não afetar a sua sobrevivência. Quando o tempo fica mais ameno, voltam para procriar e cuidar das suas crias.

Estas rotas migratórias variam consoante a espécie, não sendo sempre as mesmas nem tendo a mesma distância. Estas foram surgindo ao longo de milhares de anos de adaptação. Algumas aves percorrem milhares de quilómetros e planam durante dias a fio sem parar! Conseguem descansar enquanto planam pois adormecem metade do seu cérebro durante alguns minutos por dia. É fascinante!

Alguns cientistas descobriram que as aves tanto utilizam o sol como as estrelas como bússola, mas também têm uma bússola magnética interna que as mantém na rota correcta. Portanto, sabem para onde vão porque anos de experiência lhes permitiram descobrir locais propícios à sua sobrevivência

No entanto, esses locais estão a mudar.

Com as mudanças climáticas, já se verificou que várias aves acabam por não aproveitar ao máximo os recursos alimentares quando regressam na Primavera. Este fenómeno dá-se porque o tempo primaveril tem começado mais cedo em algumas zonas (mesmo que sejam só uns dias no início do ano). Com esta mudança, espera-se (e já se observa) que o tempo de migração se torne mais pequeno e para diferentes locais, que a migração seja mais precoce, alterando também o tempo de reprodução.  

Mudanças esperadas para espécies migratórias

As mudanças climáticas e perda de habitat são duas grandes ameaças para a maioria dos animais. Apesar dos pontos negativos que mencionei, um ponto positivo para as espécies migratórias é o facto de estas poderem mover-se! Assim um de dois cenários pode acontecer: ou colonizam novos locais na altura de reprodução e mudam rotas de migração; ou então podem responder por adaptação, por meio da seleção natural dos genótipos mais adequados às novas condições climáticas. Ainda assim, apesar de já termos tido várias mudanças drásticas no clima (só não estávamos cá para assistir), a magnitude da mudança prevista é diferente de qualquer uma já estudada, tal como a rapidez da sua evolução.

Muitas populações migratórias têm potencial para se adaptar a essas mudanças a curto prazo. Especificamente algumas aves caso não sejam restringidas por super-exploração ou perda de habitat. Infelizmente, outras espécies migratórias podem ter uma evolução mais lenta, podendo não sobreviver e levar à sua extinção.

Como ajudar a diminuir as consequências

Antes de mais, é necessário que existam estratégias de conservação dinâmicas que consigam antecipar vários dos problemas que já sucedem e outros que virão. A conservação das áreas protegidas e a garantia de habitats “seminaturais” são essenciais para que as espécies possam continuar a sobreviver. Um exemplo será a existência de praias específicas para as tartarugas poderem colocar os seus ovos, presença de espaços verdes com flores e árvores para as aves e abelhas, entre muitos outros.

Para além de estratégias de conservação, é também necessário limitar as emissões de gases de efeito de estufa (como todos/as já sabemos). Mas  é realmente alarmante mergulhar a fundo neste tema e não ficar preocupado/a com as mudanças que ainda estão para chegar, portanto caso seja possível trocares o carro pela bicicleta, ótimo! Ou nem que seja o saco de plástico do pão que compras todos os dias por um saco de pão de pano… É fantástico e toda a gente vai adorar o saco por infelizmente seres o/a único/a a utilizá-lo (acontece no mini-mercado onde vou).

As mudanças climáticas continuarão a existir e se não houver uma melhoria abrupta, estas irão ameaçar cada vez mais a biodiversidade global, a integridade dos ecossistemas, dos serviços que eles fornecem e consequentemente, a sociedade humana.

Se já fazes isso tudo e não tens qualquer ligação a áreas de conservação da natureza a nível profissional, não te esqueças que ainda assim há muito que se pode fazer para ajudar!

Caso tenhas terrenos ou um quintal, podes construir abrigos de madeira, comedouros ou bebedouros e até construir hotéis para insetos. Para além de serem uma mais valia, também acabam por servir de alimento às aves. E por favor, não destruas ninhos que estejam feitos! Estas aves viajam de muito longe para poderem passar cá umas pequenas férias a cuidar das suas crias 😊

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