Tabaco e o seu impacte no ambiente

cigarro na praia

Desde a preparação do terreno de cultivo até ao seu consumo, o tabaco consegue ter pelo menos cinco aspetos negativos com um grande impacto ambiental. Não sabias? Isto claro, sem contar com os malefícios que traz para a saúde, porque isso já todos/as sabemos desde os tempos da escola primária. Pelo menos lembro-me de fazer uma experiência para ver como ficavam os pulmões de um/a fumador/a e de andar atrás dos meus pais para lhes deitar fora os maços de cigarros! A ideia era boa, mas 20 anos depois continuam a fumar portanto as minhas missões foram todas um fracasso.

Espero que este post não o seja! Isto porque mesmo que fumes e que saibas que te faz mal, gostaria que ficasses a conhecer os impactes que esse pequeno cigarro traz para o nosso planeta – passo a passo. 

1. Cultivo do Tabaco

O desmatamento de terras para o cultivo de tabaco traz perda de biodiversidade, erosão e degradação do solo, poluição da água e aumento do dióxido de carbono na atmosfera. Já aqui tens as cinco consequências e ainda só estamos no primeiro ponto! Para além disso, o seu cultivo costuma envolver o uso substancial de pesticidas, fertilizantes e reguladores de crescimento. Estes podem afetar as fontes de água potável devido ao escoamento das áreas de cultivo de tabaco. Os nutrientes do solo também costumam esgotar-se rapidamente, pois a planta do tabaco consome muito nitrogénio, fósforo e potássio.

Para agravar a situação, as multinacionais de tabaco incentivam a expansão da agricultura do tabaco em países pouco desenvolvidos (e.g., Zimbabwe). Estes agradecem bastante o investimento inicial do negócio, mas depois vêem os seus terrenos ocupados com uma planta que danifica a sua flora e fauna, que tem um grande impacte ambiental e que prejudica também a saúde da população.

Muitos trabalhadores/as agrícolas (especialmente crianças, minorias e migrantes) manuseiam as folhas sem proteção durante a sua colheita e processamento. Desta forma, ficam em risco de conter a doença da folha verde do tabaco, uma intoxicação aguda causada pela nicotina que se encontra nas folhas.

Isto tudo ainda sem chegar à parte do fabrico do cigarro.

Produção do cigarro

A estimativa de lixo produzido durante o fabrico de tabaco que encontrei foi feita em 1995, quando se produziam 5 biliões de cigarros por ano. Nessa altura a sua manufatura produzia mais de 2 000 000 toneladas de resíduos sólidos! Adicionalmente  300 000 de resíduos não recicláveis (com nicotina) e 200 000 de resíduos químicos. Hoje o seu fabrico aumentou para aproximadamente 6,3 biliões de cigarros.  

Deixo aqui uma ilustração com alguns compostos que um cigarro contém, apesar de serem libertadas mais de 4000 substâncias com efeito tóxico ou irritante no fumo do cigarro, para além das ilustradas. Algumas delas são produzidas no processo de produção do tabaco, outras são adicionadas ao cigarro no seu fabrico e outras são formadas apenas quando ocorre combustão: quando o cigarro é acendido.

compostos do cigarro

Para além do tabaco em si, também se deve contabilizar o pacote onde este se encontra! Com 6,3 biliões de cigarros fabricados anualmente, dá-se um desperdício de 1 800 000 toneladas de resíduos de embalagens. Estas são compostas por papel, tinta, celofane (película), papel alumínio e cola. 

Já perdeste a conta das toneladas de desperdício?

3. Consumo e desperdício

De acordo com relatórios da OMS, estima-se que o tabaco provoca a morte de 7 milhões de pessoas por ano. Isto sem contar com as doenças que se criam anualmente também devido a este (e.g., cardiovasculares e pulmonares). Para além disso, gera despesas de 1,4 biliões de dólares em custos de saúde, perda de biodiversidade e impacte ambiental.

Para não bastar, depois de desflorestação, intoxicar animais, solos, água e atmosfera e fazer mal à saúde em geral, ainda existe a questão das beatas deitadas para qualquer lado sem ser um contentor do lixo (apagadas, claro). É extremamente perigoso deitar fora uma beata mal apagada, seja para onde for, pois ainda é bastante comum existirem incêndios causados por um cigarro mal apagado!

Voltando à questão do lixo, estas beatas são bastante populares nas praias, principalmente na areia. Tirando isso, podem ser vistas nas estradas, nos passeios, nos rios e florestas, jardins e até quintais. É possível que já tenhas passado por umas quantas hoje, não?

Estas demoram aproximadamente 5 anos a decomporem-se, dependendo do clima onde se encontram. O filtro de acetato de celulose não biodegradável que se encontra nos cigarros é o principal componente do desperdício destas beatas. Ainda assim, também existem substâncias como o arsénico, chumbo e nicotina. Substâncias essas que ao serem descartadas para o rio ou solos, podem danificar a qualidade da água potável que existe (clica aqui para saberes mais sobre a importância da água potável). 

Para fumadores/as:

Se és fumador/a e mesmo depois desta informação não consegues colocar a hipótese de deixar de fumar, tenta sempre depositar as tuas beatas no local certo! Estejas onde estiveres – na praia, no meio do mato, na rua – coloca-as sempre num recipiente para depois depositares no lixo. 

A Sustainable Tree decidiu criar um cinzeiro portátil, através de canas de milho para ser fácil de transportar e com uma rolha de cortiça para que nunca sujes as tuas malas ou mochilas com cinza ou beatas!

cinzeiro portátil
cinzeiro enterrado

Quando o cinzeiro estiver cheio, deposita o conteúdo no lixo comum, pois não é possível reutilizar a beata do cigarro. 

canas

E se te trouxer maior consciência ambiental, nunca te esqueças que elas estão a observar-te da janela!! 🙂 

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